Internet e Comunicação Digital

17 de julho de 2012

Três lições que (re)aprendemos com a venda do Digg

digg-logo

Mais um dos percursores das mídias sociais que teve um fim nada honroso. A venda do Digg para o grupo Betaworks por ‘apenas’ US$ 500 mil pode ter chocado muita gente, mas a verdade é que os sinais de declínio já eram bem evidentes. E mesmo que o valor da transação não tenha sido só esse, ainda está, certamente,  muito longe dos US$ 175 milhões que chegou a valer.

Acima de tudo, é importante observarmos não só as causas do declínio (algo que tem sido muito bem abordado pela maioria dos blogs e portais de tecnologia), e sim as lições que se ‘escondem’ por detrás da história do Digg e de outros casos de queda de popularidade, como o MySpace, o Friendfeed, o Delicious ou até mesmo o Orkut.

São três pontos fundamentais para ajudar a entender melhor o contexto macro da Comunicação Digital, evitando que, cada vez que um destes sites fecha (o que não é o caso do Digg, pelo menos para já), os gestores entrem em pânico e resolvam largar as ações em outros canais, omo Facebook, Twitter, LinkedIn, sob o pretexto de que estes podem ter um fim semelhante.

1 – O Presente é Passado

A velocidade das mudanças na Internet é impressionante – sim, é um clichê demasiado comum, mas não existe outra forma de descrever. Se pensarmos que no ‘mundo real’, o ciclo mais complicado de uma empresa é a fase entre a sua criação e os primeiros cinco anos, fica claro como a dinâmica é completamente diferente no mundo digital. O sucesso meteórico do Digg (e dos demais) ocorreu em pouco tempo, e dá a sensação que a partir daí existe uma estagnação – quase um comodismo.

Quem trabalha com Marketing Digital precisa reconhecer esse sinais de acomodação o mais rápido possível. A probabilidade de sucesso de um serviço web, no longo prazo, está intimamente ligada à capacidade de se reinventar e renovar constantemente.

Em resumo, parou no tempo? Então, perdeu o ‘bonde’, não importa quantos usuários tem, ou quanto dinheiro conseguiu captar de investidores.

2 – Não há lugar como a nossa casa

Não interessa quantas redes sociais ou serviços web 2.0 a sua empresa está presente: o site continua sendo a sua casa online. Sim, é importante ‘ir atrás’ do seu público, frequentar os mesmos espaços virtuais e buscar uma presença assertiva nesses canais. Mas nunca às custas dos investimentos no site – especialmente investimentos em conteúdo de qualidade.

Com conteúdo de qualidade, e a segurança que o site não vai desaparecer de um momento para o outro (a não ser que a empresa assim o decida), este é o ponto de partida ideal para a construção de relacionamentos com o seu público-alvo. E as mídias sociais? Catalizadores desse  relacionamento.

3 – É a comunidade, não a URL

Nada é mais frustrante do que estar a investir em alimentação e curadoria de conteúdo para manter uma presença sólida em uma determinada rede social, e de repente ver que esse site vai fechar ou mudar radicalmente. Mas será que foi um investimento à toa? De maneira nenhuma.

Se você conseguiu construir uma comunidade em torno dessa presença, não será difícil conseguir levar a maioria desses usuários para outro ‘espaço digital’. A maioria das pessoas está presente em mais do que uma rede social, e este tipo de situação já deixa de ser uma surpresa – ou seja, o internauta busca constantemente alternativas para fazer a mesma tarefa, e essa demanda resulta na criação de mais e mais serviços por parte dos desenvolvedores.

Não importa se é no Digg, ou no Facebook, ou outra. O que importa é o conteúdo que está a ser disponibilizado e a forma como a interação com a comunidade decorre.

 

Tal como quando fecha aquele barzinho antigo onde sempre nos encontramos com nossos amigos, dá uma tristeza, claro, mas não deixamos de nos reunir com eles por causa disso. Apenas procuramos outro ponto de encontro.

E você, que lições acha que podemos retirar destes ‘fracassos’ na web?

 





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