Na semana passada, mais especificamente no dia 28/02, o portal IT4CIO procurou o nosso Diretor de Operações, Tiago Amôr, para a participação em uma matéria lançada.
A matéria, produzida pela jornalista Marília Fagundes, tinha por objetivo retratar o “relacionamento de CIOs com profissionais da geração Y”, sob a perspectiva de diretores e executivos da área.
Participaram da reportagem Cristina Leal de Castro (CIO da Unimed Paraná), Fabrizio Ferrari (CIO da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) e também Tiago Amôr.
Se você quer ler a reportagem na íntegra, acesse o link “Geração Y e Baby Boomers: conflitos existem, mas é possível extrair bons resultados.”.
Aqui, no Lecom em Ação, disponibilizamos na íntegra as respostas dadas por Tiago Amôr, nosso Diretor de Operações. Boa leitura!
- Sendo um diretor de operações mais jovem que a média, como você vê a chegada da geração Y no mercado de trabalho e o relacionamento dos gerentes de TI com esses jovens?
[TIAGO] Da seguinte forma: Gosto de ser muito realista. A geração Y está aí. Isso é um fato. Assim como é um fato que existe um encurtamento de espaços entre as gerações Y, X, Baby Boomers e outras vindo a seguir. Segundo o Filosofo Mário Sergio Cortela, a formação de uma geração para outra que era de 50 anos passou para 10 nesses últimos anos, ou seja, muita mudança e muita gente diferente para lidar na casa, na escola e no trabalho.
Como aceito a frase de que “contra fatos não há argumentos”, entendo que temos que ter sabedoria e/ou, principalmente, aprender a conviver com esse cenário e o desafio é buscar o máximo de Excelência perante a esse desafio.
Particularmente acredito que a convivência da geração Y com Gerentes, Diretores ou seja, cargos de liderança já foi pior. É comum encontrarmos Gestores que são da carreira X que passaram pela transição da ditadura, rock nacional, cruzeiro, cruzados… ou seja, pessoas que suaram muito para conseguir estabilidade e experiência e dão muito valor a isso. O choque com uma geração Y geralmente ocorre pois essa geração tem pressa, criatividade, energia e não tem medo de “bater de frente”, ou seja, estamos falando de modelos mentais diferentes.
Porém, o mundo mudou também com a globalização, ou seja, o achatamento do mundo, é claro, principalmente no quesito novas tecnologias. Nesse sentido, sinceramente acredito que as gerações estão sendo obrigadas a conviver juntas, pois o Gestor, que é líder, precisa extrair o melhor da equipe e para fazer isso deve saber como se comunicar, gerar empatia e buscar a excelência com cada liderado… Em termos de tecnologia o papel da geração Y é fundamental. É mais ou menos como minha mãe fazia quando eu e minha irmã brigávamos, o nosso castigo era ficar abraçados por 10 minutos… no 3º minuto já estávamos fazendo as pazes e enxergando que é possível conviver juntos estando o mais próximos possível.
A geração X e BB têm necessidade de “ver para crer”, são mais conservadores, então para conquistá-los é necessário provar! É isso que a geração Y que tem pressa muitas vezes não vê! Fica uma dica.
- Que aptidões são essenciais para que um gestor usufrua dos benefícios de uma equipe formada por diferentes gerações?
[TIAGO] Todos os lideres que fizeram história tinham algumas coisas em comum. Entre elas está o poder de se comunicar e influenciar pessoas. Isso significa entender que há diferenças em como as pessoas devem ser tratadas e buscar a excelência ao se comunicar com elas. Sendo assim, as aptidões necessárias não mudaram muito, ou seja, é necessário entender o ser humano, seus modelos mentais, necessidades, anseios, objetivos, etc.
O que mudou foi a complexidade, pois antes existia o choque de uma ou duas gerações no máximo com poucas diferenças e atualmente dizem que existem 3 a 5 e com diferenças bem grandes. Dessa forma, com certeza o líder está sendo mais exigido, pois falar com públicos diferentes, influenciar pessoas diferentes, gerar seguidores que não querem seguir ninguém é mais difícil.
De qualquer forma acredito também numa outra máxima, que diz que não há pessoas erradas e sim pessoas certas nos lugares errados, ou seja, é necessário analisar e entender profundamente como montar o seu time, o que cada um pode dar e principalmente onde encaixá-los e como influenciá-los e direcioná-los para atingir os objetivos que serão bons para todos, pois afinal alguns anseiam mais por estabilidade, mas todos querem crescer, ganhar mais, se superar.
Lidar com a geração Y parece difícil, mas pense comigo: O que o Y quer? Desafios, crescer rapidamente… têm pressa. Uma empresa também tem pressa, ou seja, é tentar alinhar essas 2 pressas e abrir oportunidades. Um Y gosta de ser desafiado, vive a era dos games, das fases de um jogo, de novos jogos, ou seja, ele “quer” e o desafio do líder é buscar reverter a situação e chegar num ponto de “tome então, agora faça”. O risco é que entre querer e fazer há um grande gap que as vezes não compreendemos. Todo mundo gostaria de ser o Roger Federer, rico, famoso, batedor de recordes, mas efetivamente treinar todo dia, passar 20 anos da vida viajando, se privar de baladas, bebidas, etc, para ser “o cara” muito poucos estão dispostos a aceitar. O que quero levar para reflexão é que quando o espaço é dado e encontramos um talento que quer e consegue realizar, com certeza, em qualquer empresa do mundo haverá espaço, pois ele fará diferente, melhor, inovará seja trazendo mais receitas, diminuindo despesas ou abrindo novas oportunidades para toda empresa. Quem não quer isso?



